12 de agosto de 2016

R.I.P. #SquadGoals



Finalmente se avista o fim deste hashtag tenebroso, segundo a Elle britânica. A publicação online revela que existe uma tendência sociológica que vai ficar acima do sonho em ter um grupo de amigas/os fantástico. A Melhor Amiga. Os clássicos ganham sempre e os pares de amigas parecem ser o novo cool. Depois de muitas páginas, em papel e em cliques, a falarem de como a amizade tem superado o amor nesta geração, deita-se por terra a utopia de uma tribo perfeita.

É fácil para super modelos e estrelas pop terem recursos para programas sofisticados com mais de 4 pessoas, como viagens de barco para ilhas privadas, idas a outro país para assistir um desfile ou serão num palco durante uma tournée mundial. O fenómeno de todas as mulheres que idolatramos à distância fazerem parte do mesmo núcleo íntimo é publicitado nas redes sociais à velocidade da luz. De repente sabemos que as barreiras etárias não existem quando se trata da genial Lorde e da genial Lena Dunham. É público que a super Karlie Kloss é bestie de Taylor Swift, que é bestie de Gigi Hadid, que é bestie de Kendall Jenner, que é cunhada de Kanye West, que odeia Taylor Swift. E neste mundo de #squadgoals os amigos não se zangam nem têm ciúmes. São, como no Cinema, super heroínas e heróis, em que tudo é possível e no fim acaba tudo bem. Aliás, desde os mais recentes escândalos que Swift tem apenas publicado no Instagram, uma a uma, as suas melhores amigas que completam aniversário.
Na vida real o dia-a-dia não se processa tão agilmente e entre folgas rotativas, amigas emigradas, teses por acabar ou os primeiros bebés que chegam, deixa de existir harmonia de agendas. Quando finalmente se marca um evento é difícil gerir vontades e enquanto uns vão para a fila da frente num concerto, outros detêm-se no bar a pedir bebidas e uns poucos esperam por uma ida à casa de banho. No fim, perante um mar de gente em direcção à saída, um ou dois telefones sem bateria e alguém que saiu a meio devido a um imprevisto, já está o grupo desfeito. Pessimismos à parte, isto é apenas realismo: é difícil gerir saídas com um número de pessoas maior que 2. A pares é mais fácil encontrar mesa num restaurante ou filme lotados, ter atenção personalizada para os nossos desabafos ou simplesmente marcar encontros à última da hora. Até Carrie largava o seu esquadrão para algum tempo de qualidade, a sós, com Miranda, Charlotte ou Samantha.

A regra de Dunbar é para aqui chamada como explicação para um comportamento social. Esta teoria defende que o número de pessoas que conhecemos está ligado ao tamanho do nosso cérebro e/ou à capacidade da nossa memória. A média são 150 pessoas, o que na nossa era parece pouco, com todos os estranhos, conhecidos, amigos e família que vagueiam nos feeds das nossas contas em redes sociais. A verdade é que o telefone e o computador acabam por ser uma extensão de nós e, consequentemente, da nossa memória. Este bombardeamento social, a par dos tais problemas de logística, acabam por ter consequências inversas, com uma maior selectividade em termos de amizade. Daí fazer todo o sentido ficar para trás ou seguir em frente e não seguir sempre o rebanho.

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