30 de janeiro de 2016

Em 2016 Vou... Comer Melhor


 Christy Turlington, Vogue 1992

E esta onda de comer saudável que aí anda? Deve ser das tendências que mais faz sentido e é isso mesmo, uma tendência. Tal como nos anos 90, a partir de 2010 as preocupações com corpo e  mente começaram a estar no primeiro tópico da nossa bucket list. Lembram-se das imagens todas da Christy a fazer yoga? Agora, para além dela, supermodelos de 20 anos também se preocupam com mente sã. Mas já falámos sobre isso! No que diz respeito à alimentação, há vinte anos atrás surgia grande interesse em nos afastarmos dos alimentos processados e coincidia com a era em que Portugal foi invadido pelo fenómeno de supermercado, trazendo mais opções (nem todas saudáveis) que contribuíam para a diversidade de alimentos que o consumidor podia adquirir. Em 1985 nasceu o Instituto Macrobiótico de Portugual e em 1997 lançaram o curso de Culinária. Lembram-se daquelas máquinas sinistras de fazer iogurtes que as nossas mães e tias tinham? Da cozinha cheia de electrodomésticos que trituravam, passavam e facilitavam a vida doméstica? Depois passámos por um período de ode à fast food e os anos 2000 eram resumidos a fotografias trashy de pizzas, hambúrgueres e cupcakes...

Não há coincidências e hoje estamos cada vez mais preocupados em sermos nós a fazer as refeições ao invés de comprar já feito. Para muitos esta mudança pode ser ténue, até porque as secções de take away dos hipermercados apresentam sempre muitas propostas. Para mim é demasiado evidente que queremos ser nós a decidir que elementos o nosso corpo consome e já está mais que na moda saber cozinhar e ainda apresentar o resultado com qualidade gourmet.

Na era digital onde a Internet ganhou nome próprio enquanto conjunto de pessoas que acedem a redes sociais (até páginas de jornais são uma rede social na caixa dos comentários), comentam e partilham, a informação acerca de nutrição é universal. Podemos cair num grande erro, como iniciar uma dieta que não faz sentido para o nosso metabolismo, estilo de vida etc... mas hoje é mais difícil fazê-lo do que há vinte anos atrás, quando apenas se seguiam dicas de revistas femininas. Ou seja, graças à Internet, qual caldeirada de informação, temos acesso a páginas, blogs, receitas, estudos científicos e APPS de nutricionistas que nos ajudam numa das principais decisões do dia: o que comer?

Para quem tem sérias preocupações com este tema: distúrbios alimentares, excesso de peso ou o oposto, anemias, diabetes, intolerâncias ou alergias, é muito importante que seja aconselhado por um especialista em nutrição e alimentação. No meu caso, consegui perceber a custo que sou intolerante à lactose e tento mesmo não cair em tentação. A grande dificuldade, no meu caso está em perceber quais os alimentos, não derivados do leite que podem contê-lo, mesmo que em pouca quantidade. 

Há várias directrizes que podemos seguir, como optar por produtos biológicos. Estes produtos são produzidos com respeito pelo meio ambiente e não contém aditivos nem químicos, os sabores são mais intensos e verdadeiros. Para quem come carne ou derivados podem ter em atenção se os animais foram criados ao ar livre ou em confinamento e optar pela primeira, mesmo que seja à partida mais cara. Ter em conta a origem também é uma forma de proteger o nosso mercado interno, optando por produção nacional ou por pequenos produtores locais.

 Karlie Kloss, Glamour 2015

A onda vegetariana tem levado muita gente a surfar numa prática consciente de alimentação. Sou muito a favor desta dieta e tento pô-la em prática durante alguns dias da semana. Caso vivesse sozinha seria mais fácil de abdicar de carne e peixe mas ainda assim faltam-me as skills culinárias para preparar bem e de olhos fechados tofu, seitan e soja (biológicos)... Etapa a etapa sinto que muito se consegue mudar e que é assim que se constrói um hábito. É mais fácil criar estas rotinas se perto de nós existirem opções saudáveis e caseiras para almoçar. No meu caso, quando não trago marmita, escolho um destes sítios pela Baixa-Chiado:

Tao - É uma pérola perdida na baixa, na minha opinião, mais pelo espaço que pela comida. Na Rua dos Douradores, quem olha de fora vê uma sala de refeições humilde e sempre a abarrotar de gente. Não sabe ainda que há uma porta lateral à qual se procede uma escadaria que nos leva a mais duas salas onde podemos almoçar. Uma delas tem um ambiente mágico e bem oriental, sentamo-nos no chão e a luz é suave e quente. Comer aqui é como nos sentirmos a comer de forma justa, para o nosso corpo e carteira. A cozinha é vegetariana e os menus são feitos com base nas componentes do prato, três componentes são 4€ e é o que costumo pedir. Fico bastante satisfeita e as porções são grandes. Costumam ter sempre uma receita com tofu ou seitã, puré de legumes e gengibre, quiche, tempura, arroz, cuscuz, feijão... O extra é a salada e o chá, gratuitos.
Dá para pecar com uma das sobremesas que ficam a sorrir na montra, tarte de maçã, mousse de alfarroba, pudim... E também já vi lá servirem bacalhau com natas, um mimo para os clientes omnívoros!

Loja das Sopas - Já provei de tudo aqui, é o sítio que vou mais vezes, pelo preço e porque a comida é mesmo reconfortante e com gostinho a casa! Há sempre umas cinco opções de sopa (entre elas uma light), menus desde 4,50€ e opções como empada, tarte salgada, crepes salgados, bifana, salada, sandes, sumos naturais, limonada... Como almoçar nos Armazéns do Chiado é sinónimo de muito ruído, gente e mesas cheias, prefiro ir logo às 12h para ter como certa meia hora de tranquilidade. Para refeições "de shopping" tem uma qualidade espectacular!
Dá para pecar com uma sopa da pedra!

Spinach - Este restaurante ecológico fica no Centro Comercial Espaço Chiado, tem apenas duas mesas que auferem uns 8 lugares sentados mas fazem serviço de take away (em conscientes caixas de cartão e não de plástico) e entregas. O menu é composto por seis combinações de sabores que depois podem ser degustadas em salada, wrap ou em pão biológico. Eu comi um wrap de humus com pêra, tomate, beterraba e molho de iogurte. Muito bom mesmo, sem aquela quantidade absurda de molho que pomos em casa e a meio já estamos arrependidos... Os sabores são reais e não se sobrepõem, nota-se o respeito por cada alimento e isso é das coisas que mais valorizo numa refeição. A limonada é servida sem açúcar e a sua adição é da responsabilidade do cliente. Tem ainda opções com salmão, atum ou presunto, sopa, empadas bio, smoothies e sumos naturais. Almoçar aqui deve rondar os 6€.
Dá para pecar com uma grande fatia de bolo vegan, assim quase nem é pecar!

Era Uma Vez - Mesmo ali à saída do metro, na Rua do Crucifixo há comidinha quentinha quase tão boa como a da mãe, mas com o extra de ser mais saudável. Pratos caseiros e bem nossos conhecidos alinham-se com variedades mais criativas, desde bacalhau à brás, lasanha e empadão de carne ou de salmão a canneloni de espinafres, tarte de tomate seco e manjericão... Há sempre sopa e um dois ou três pratos. Na montra, fatias de bolos ou tartes sonho e salgadinhos. Para beber temos sempre chás biológicos, sumos de fruta ou os malvados refrigerantes. O único senão é ser um espaço muito pequeno, ideal para almoçar sozinho e bem cedo, antes que encha. Um almoço aqui (sopa, prato e bebida) ficou-me por volta dos 7€.
Dá para pecar com uma fatia de tarte de chocolate e caramelo salgado.

Ainda em Lisboa, no Saldanha, temos o Gomo, que já falei aqui noutro post.

Não posso deixar de destacar A Tasquinha da Tijuca, no Entroncamento, por ter optado por um menu exclusivamente vegetariano para os almoços de segunda-feira. Aliando-se ao projecto Segunda Sem Carne e pela mão de fada da Ana do Sabor Fazer, fazem refeições sustentáveis e saborosas. Ainda não consegui lá almoçar mas já conheço a cozinha da Ana e super aprovo!

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