13 de dezembro de 2014

Dogs as Fashion Statement






Calma, não vou escrever sobre dog wear!
Talvez seja melhor começar por definir quais os meus sentimentos em relação a cães, para poder escrever sem temer ser mal interpretada. Pois bem, gosto destes animais e são a única espécie com a qual consigo lidar com alguma confiança e sentir que sei o que estou a fazer. Eu não só gosto, eu adoro, eu torno-me obsessiva! Paro na rua para abordar cães, escrevo na barra de pesquisa do Google puppies, cute puppies, happy dogs quando me sinto desanimada, o meu screensaver do pc é um cão que encontrei numa dessas pesquisas, o meu screensaver do computador no trabalho é outro cão que encontrei numa dessas pesquisas...ah! E tenho um cão! Penso que a partir daqui não será posto em causa o meu amor a estes seres de quatro patas.


Muito ou nada se escreve acerca de cães enquanto símbolos de Moda. Para mim Moda não são apenas trapos que se passeiam em cabides nas Fashion Weeks, ou o vestido que alguma actriz levou à gala da sua estação televisiva, momento esse captado pelos fotógrafos das TVmais desta vida.
Moda está presente em tudo aquilo que fazemos, dizemos, ouvimos, comemos, desejamos. Como dog lady (é injusto soar melhor com gato) que sou, quero falar de como cães são usados como ferramentas de construção de identidade. Não é de agora que o cão, ou a raça, é símbolo de estatuto. Temos o exemplo dos Corgis da Rainha Elizabeth, o Cão de Água Português da família Obama e todos os casos de preços excêntricos a pagar para ter um amigo fiel, para nos assemelharmos aquilo que ansiamos ser. Na China ter um cão de porte grande é sinónimo de posses que possam sustentar grandes casas na cidade, por todo o mundo surgem centenas de marcas de vestuário de luxo para cães.

Isto ultrapassa freaks de rastas a puxarem rafeiros com trelas de macramé, isto ultrapassa os Chiuauas dentro das bolsas de loiras platinadas wana be Paris. Ter um cão está in. Mas para muitas pessoas não pode ser um cão banal, um cão qualquer, de marca branca. Tem de ser "aquele" cão. Se os acima apontados, mínimos, portáteis, esquizofrénicos Chiuauas foram o it do início dos anos 00, nos anos 90 talvez tenham sido os Dálmatas, os Huskies, os Chau Chau enquanto os anos 80 combinam bem com Poodles. Lembro-me na minha adolescência do carinho que as pessoas tinham por Labradores e depois por Shar Peis. Nos últimos quatro anos ouvi e vi um enorme interesse em French Bull Dogs, depois em Jack Russels, Beagels e Pugs.

Hoje escrevo para eleger qual é o cão, a raça, desculpem, do ano.mood boards por toda a Internet... A culpa é do normcore que disse: Cinzento e uma textura de boa qualidade é fixe? A culpa é do público que se fartou dos últimos cãezinhos it, de pequeno porte e trocou-os pelos de caça? A culpa é da Acne e da sua sessão fotográfica a cargo de William Wegman? Aposto na última opção, embora as fotos datem de Março do ano passado, bem... as tendências demoram a pegar e a serem visíveis assim, a olho nu. 
Weimaraner! A foto em cima denunciou-me... Esta é a raça aspiracional que polvilha

O fotógrafo desde sempre que faz criação de Weimaraners e os usa como principais modelos nas suas sessões. A Acne é das mais adoradas marcas do momento... Os interessados na marca e atentos a tudo o que é belo e novo adoptaram Weimaraners. Os que podiam, fisicamente, os que não podiam/queriam, digitalmente. É uma raça tão versátil, dá com tudo, tanto que a Burberry também a usou como modelo/adereço numa campanha pequenina no site Nordstrom... Deve ser do seu pêlo aveludado ou do seu porte solene mas pateta ao mesmo tempo... não sei, mas este é o it dog do momento. Não vou negar que reparei noutras raças de caça por aí... mas nada tão marcante. 

Nada contra quem compra cachorros, mas tudo a favor de quem adopta cachorros e cães adultos. Custa-me crer que se paguem pequenas fortunas por cães com pedigree e que muitos acabem abandonados. Fico a pensar se ter um Weimaraner novinho em folha é suficiente ou se daqui a  um par de anos chega o arrependimento, mesmo que não se diga em voz alta. Que o máximo que façam seja um novo board secreto no Pinterest, onde comecem a colecção de imagens da próxima marca canina do momento! 

Acredito numa teoria cuja confirmação é constatada em qualquer paredão, jardim, esplanada, terrenos baldios... Os cães são iguais (no mínimo parecidos, vá), aos seus donos. Nos casos em que o cão é de raça podemos aplicar a teoria da familiaridade, quando é rafeiro esta teoria não é tão chapa sete a nível físico. Podemos, então,  acreditar em coincidências ou que reflectimos a percepção de quem somos naquilo que temos 
Eu, se ele me permitir, continuarei a passear o meu cão sem etiqueta, vintage de pêlo dourado. E se os cães são iguais aos donos, sou feliz por ser um rafeiro.

2 comentários:

  1. adorei este textinho e adoro weinaners :P

    ResponderEliminar
  2. O teu cão vintage ficava bem nesta tendência de 70's, festivais e hippies superficiais. Ainda por cima já é sénior!

    ResponderEliminar