15 de junho de 2015

Miúdas Comprimidas


Tara Lynn para SModa

Quando trabalhei com lingerie e roupa interior duas amigas, em alturas diferentes, fizeram-me perguntas sobre cintas de compressão. Estavam interessadas em arranjar uma para lhes adelgaçar a silhueta. São miúdas novas, de 24 e 26 anos, não são gordas, gostam de praticar desporto. Mas a barriga incomoda-as e a mim também, a minha. Cada cabeça sua barriga e andamos todas a querer que ela encolha, desapareça.

Como em minha casa sou a única cujos genes quase fazem inveja às musas de Botticelli, nunca convivi com roupa interior do género, mas sim com push-ups, por exemplo. A primeira vez que tive essa experiência foi ao trabalhar com uma actriz que se espremia dentro de um desses soutien, um body de compressão e por fim uma cinta com perna. O que me custava ver, e a ela fazer, era comprimir os seus fartos centímetros dentro de têxteis tão apertados, mas elásticos, que a deviam fazer suar muito mais que o normal.

As peças de compressão, ou modeladoras, sempre tiveram uma aura de tabu, ninguém admitia usa-las. Até hoje! Primeiro as minhas amigas e a constatação de que para comprar uma destas peças não se tem de gastar muito dinheiro nem a obrigação de escolher marcas premium. Qualidade à parte, até porque não experimentei nenhum dos produtos, a H&M e a Primark oferecem uma gama bastante tentadora. Depois Tina Fey. Rainha. Em lingerie roupa interior de compressão! O tabu vai-se desmistificando como tudo nesta era da Internet. 

Se por um lado se produzem mais linhas plus size, também se oferecem faixas para apertar e tentar esconder as formas mais voluptuosas. Mas quase sempre são modelos tamanho 34 a publicitar o produto. Meninas que vestem 34 também usarão este tipo de artigos? A verdade é que estas peças permitem, por mais confuso que possa parecer, uma liberdade maior. Liberdade intimamente relacionada com a segurança de que tudo está no sítio certo, quase estático mas que permite usufruir de roupa mais justa, curta, rodada, cavada, sem o terrível medo de parecer menos bem.

Enquanto se aceitam os defeitos e se faz uma redenção às diferentes morfologias continuamos, dentro dos nossos tamanhos, a buscar um cânone de belo puro, uma perfeição que possa fazer parte do imaginário de qualquer pintor.

2 comentários:

  1. Lindo o texto. É um obsessão pela forma - por um lado queremos modelos plus-slize porque não é só o magro a ser bonito, por outro, as cintas de compressão e o melhor: cintas/roupa interior almofadada para também estas modelos, para que fiquem redondinhas!

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  2. Conheço roupa interior almofadada (os bumbuns como lhes chamam, até a Beyoncé usa) mas não sabia que estas modelos também usavam! Nunca se É suficiente...

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