15 de julho de 2015

2000 | Flip-flops are Back



Em inglês flip-flops são chinelos com duas tiras, que separam o dedo grande do pé dos outros quatro ou apenas com uma tira mais larga onde se enfia o pé. Este último modelo tem sido bastante popular no últimos dois, três anos, principalmente as opções mais desportivas e alegórico ao tema piscina. Em português o nome do modelo com duas tirinhas, representado no painel e no restante texto, denomina-se comummente pelo extenso nome Chinelo de Enfiar no Dedo. Denominações pouco aprazíveis à parte, este calçado faz parte dos primórdios do Homem e pertenceu a diferentes culturas, da egípcia à japonesa, da indiana à grega. Só um objecto tão simples e prático poderia apropriar-se às diferentes condições destes países, e ser desenvolvido por povos distintos ao longo da História, com os diferentes materiais de cada região. Este design pensado globalmente, muito antes da era global, tornou-se distintamente famoso devido à empresa brasileira Alpargatas, detentora da marca Havaianas, na década de 1960. A fama fez com que muitos chamassem para sempre Havaianas a qualquer chinelo de dedo em borracha.

Em 2004 eu tinha vários pares de chinelos de enfiar no dedo, em várias cores. Combinava-os conforme os tons do outfit e essas combinações iam de vestidos de praia até calças de ganga de cintura descida e halter neck tops. Não era a única a usar este calçado para lá da praia (na calçada da baixa num Verão de chuva, a patinar). Os flip-flops, nome género onomatopeia, viviam nos pés de (quase) toda a gente mas foram-se tornando pouco próprios, demasiado casuais. Até agora! Com os revivalismos da década passada, o abraço ao conforto e ao normal, as grandes marcas investiram neste modelo de chinelo enquanto tendência.

Nestas últimas colecções Resort falou-se muito da Dior e da Louis Vuitton por se desvincularem, mais uma vez, dos arquétipos de elegância. Esta mostra sazonal é talvez a mais adequada à escolha destes chinelos pois tem cheiro a férias, descontracção e areia. Mas antes já os víamos nos pés da Marni e dos rapazes Valentino, aqui em parceria com a icónica Havaianas. Porém, foi em Chanel Couture, para o Outono de 2014, que talvez olhar para os pés das manequins tenha sido mais surpreendente. A verdade é que anos antes seria impossível imaginar Karl Lagerfeld a optar por sapatilhas desportivas, mesmo em tweed fantasia, ou chinelos, mesmo com ornamentos, fitas e laçadas. Neste ciclo de vícios quando parece não existir criatividade volta-se atrás e quebram-se regras que ainda não tinham sido quebradas, mesmo que se aproxime cada vez mais a marca ao mundo real.

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