14 de outubro de 2015

Chanel: it's not the Clothes, it's the Show


 Fall 2015

"It's a non-stop dialogue, fashion, and if you're not ready to have it, then you should do another job."

O Senhor sabe do que fala. É o designer mais velho à frente de várias casas de topo. Aos 82 anos continua a criar e desenvolver linhas de vestuário, acessórios e todo o imaginário visual das marcas. O diálogo da Chanel é dos mais fortes no Universo Moda e os desfiles são exemplo máximo disso. Há muitas temporadas que a casa francesa tem arquitectado verdadeiros espectáculos em todas as estações, optando por uma aura de exclusividade que muitas vezes se inspira nas ruas. E esta inspiração não é de hoje, pois já nos anos 90 víamos referências a tribos urbanas no design e stylling Chanel.

O local que acomoda mais desfiles é o Grand Palais em Paris, mas também optaram por levar as colecções ao Dubai, Coreia do Sul, Áustria... Para mim, um dos grandes marcos foi, sem dúvida, o Inverno 2014. O set do desfile era um gigantesco supermercado, cujas prateleiras estavam repletas de produtos Chanel. Desde queijos e caviar a fruta e detergentes, ovos e leite, vassouras e sacos do lixo, nada foi esquecido mas sim bem arrumado por cores e especificidade. Os rótulos, criativos mas credíveis, faziam-nos querer realmente consumir aqueles artigos. Foi a primeira vez que me interessei pouco pelas roupas e mais pelo ambiente, que quis poder comprar bolachas e champanhe Chanel mais que uma mala ou um tailleur. Lagerfeld encabeçava uma brincadeira séria neste desfile, mais que em qualquer outro até à data: a construção a 100% do lifestyle Chanel, com tudo incluído. 


Na última apresentação (Primavera 2016) voltamos a ficar boquiabertos, desta vez com um enorme aeroporto e as manequins prontas a viajar, com bagagem e tudo. Estações antes vimo-las a tomarem café e tirarem selfies na incrível Brasserie Gabrielle, numa pensão de estilo germânico, num casino cheio de celebridades, gritando em megafones e empenhando cartazes numa manifestação "pública"... A reter que Karl não é francês, mas sim alemão e criou amostras espectaculares de assuntos cliché da vida parisiense, num misto de homenagem e ironia. Transformou os pires da brasserie e gravadores retro em clutches, o cesto de compras do supermarché numa peça de culto, statements socio-políticos em estampados originais...

Numa perspectiva geral, estas performances têm um impacto tão grande nos media que acabam por ser vistas por uma grande fatia do público que não acompanha as lides da Moda. Hoje não são só os meios de comunicação jornalísticos que provocam retorno às marcas, mas sobretudo as redes sociais. No Instagram, acedendo a um hashtag, temos acesso a tudo o que se passa num desfile em directo! O ambiente que proporcionam aos convidados dita assim a vontade destes publicarem mais ou menos fotografias do espaço. Daí deriva um afeiçoamento à marca e o crescimento da aspiração de ser parte da família Chanel. O resultado esperado é a subida das vendas de produtos mais acessíveis, como perfumes e acessórios.



 Fall 2014


 Spring 2015

 Pre-Fall 2015

 Fall 2015

Fall Couture 2015


 Spring 2016


Karl Lagerfeld pode ter uma carreira repleta de controvérsias mas em relação à estética e cultura visual da maison Chanel sempre mostrou uma sensibilidade nas suas ideias e decisões, mantendo-se a par dos desejos do seu público. Respeitou o legado da marca e mantém as raízes de Coco Chanel bem regadas e actualizadas aos nossos dias. O respeito pela fundadora da casa é sempre sublinhado, quer nas reminiscências aos seus fatos de inspiração masculina ou vestuário mais prático à mulher contemporânea (pensem no calçado desportivo com elementos em tweed), quer nos conceitos de algumas lojas, que recriam partes ou lugares da vida de Coco. 

2 comentários:

  1. O supermercado foi top mesmo. E os rasos! Acho que ao longo dos últimos anos estes desfiles têm frisado o obsoleto que é usar saltos altíssimos, não só com os ténis desportivos, mas com as sabrinas e os kitty heals que estão sempre lá.

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    1. Sim, as sapatilhas são das melhores tendências que trouxeram dentro do mundo couture. Acho mesmo que têm conseguido um equilíbrio entre juventude e herança!

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