9 de maio de 2016

Madrid, Lojas com Alma



A grande diferença que senti entre o comércio de rua lisboeta e o madrileno foi o gosto. Não só no sentido estético do termo, mas também no que diz respeito ao estado de espírito. As pessoas têm gosto em estar a atender o cliente, têm gosto em manter as lojas impecáveis e dá gosto entrar nestes espaços. Não visitei nenhuma loja de fast fashion pois já as temos por cá e não reflectem muito directamente a cena local. O que adorei foi, literalmente, perder-me por Malasaña e Chueca, os dois bairros mais cool de Madrid. As fachadas são lindíssimas por toda a cidade, mas aqui reflectem um estilo mais descontraído onde, por exemplo, as grades dos estabelecimentos estão grafitadas com algo relacionado com a identidade das marcas.


Do Design

O meu espaço favorito foi sem dúvida a Do Design, uma loja feita de bom gosto, que comercializa arte, revistas, vestuário, artigos de decoração e mobiliário. Nota-se bem a selecção primorosa dos buyers da loja, que escolheram artigos de muito boa qualidade, dentro daquele estilo Kinfolk tão popular agora. Uma das marcas eleitas é a portuguesa La Paz, que adoro e considero dos melhores exemplos de brand communication a nível nacional. O espaço é muito amplo e funciona como loja, galeria e café, com algumas mesas na área das revistas para nos sentarmos e lermos um pouco. A luz entra pela montra e pelas traseiras, onde contiguamente ao escritório lindo, cujas portas são envidraçadas, há um pátio. O balcão de atendimento é uma estrutura que se aparenta ao início de uma casa pré-fabricada e os provadores vão de encontro a esse estilo, são tendas! É mesmo um dos sítios que quero voltar!

 Ese o Ese

Sabem aquelas ideias formadas que temos do que é o dress code de cada capital ou país? Francês é a blusa com riscas navy, italiano é a saia homónima, britânico é o trenchcoat… Em relação ao espanhol eu tinha uma vaga ideia mas através da Ese o Ese apercebi-me do que poderá ser o estilo madrileno actual, sem clichês! Para alem das menorquinas há todo um arsenal boho mas bastante contido. Não chega a ser uma hippie pronto para um festival de Verão mas sim um estilo que vai do trabalho directamente para a festa, com salero e elegância. A loja tem de tudo para compor um look que a me faz sorrir, pela leveza e simplicidade dos conjuntos e também pela qualidade das peças. A decoração, lá está, dá gosto ver. Levaram a sério o conceito de lifestyle e criaram cantos que poderiam facilmente fazer parte de uma casa, como a cama-sofá num género de águas furtadas, com direito a uma assemblage de imagens inspiradoras na parede. Assim prolongam a vontade do cliente ficar a ver e experimentar os artigos e mesmo quem não compra sai com vontade de regressar.

Miss Vintage | Pink Flamingo

Em termos de lojas vintage temos várias lojas na Calle del Espíritu Santo, uma delas, a Pink Flamingo, vende peças ao kilo, algo que nunca vi antes! A decoração tem forte inspiração na cultura pop norte americana e britânica. No caso da Miss Vintage optaram por um estilo nórdico, mais contemporâneo, onde o factor segunda mão passa quase despercebido. Sem ser vestuário em segunda mão, mas com uma selecção de peças inspiradas noutras épocas, temos a já conhecida Kling. Fui à da Calle Fuencarral, com dois pisos e um trabalho de decoração que evocou a Ana adolescente de 2004, com uma vitrine de "troféus", entre eles uma Nylon com a Avril Lavigne na capa!
 

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