18 de junho de 2016

A de Armani



"I got into fashion almost by accident and then it slowly grew in me
 until it completely absorbed me, stealing my life away."
Giorgio Armani in BoF


Sobre Giorgio Armani sabemos muita coisa, até que esteve dois anos a estudar Medicina. Sabemos também que desde o início, em 1975, tal como um verdadeiro Imperador, gere o seu Império a solo, sem grandes grupos a deterem as suas ideias e lucros. O seu planos, aos 81 anos, é que assim continue enquanto estiver vivo.


Fotografia de Aldo Fallai

Quando falamos de Armani falamos de intemporalidade e decoro sensual. Não é contradição, é fórmula mágica e resulta num jogo de esconde e revela muito típico daquilo que imaginamos ser a mulher italiana. O público-alvo é uma mulher segura, determinada, com uma carreira em constante equilíbrio com a vida pessoal e familiar. Esta mulher são todas as mulheres. O guarda-roupa é construído como um puzzle em que as peças conseguem encaixar todas. A versatilidade junta-se à promessa de longevidade das roupas que vamos querer vestir para sempre. Para o designer só faz sentido desenhar algo que seja possível vestir no nosso dia-a-dia. Essa essência continua actual (porque o clássico é sempre actual) e vai sendo reinterpretada estação após estação sem nunca precisar de ser renovada à custa de uma mudança de direcção brusca. São os prós de ainda se ter uma lenda viva a cargo da marca.

Campanha Emporio Armani para a Primavera 2016

Tanto no design feminino como masculino Giorgio desafiou os padrões da sua época. Os fatos estruturados, de enchimentos nos ombros e silhuetas enormes deram lugar, nos seus desfiles, a um minimalismo funcional e a uma filosofia de que é o homem que veste o fato e não o contrário. Esta quebra com a estética dos ano 80, convencendo de que menos era mais, foi pioneira e seguida na década seguinte por Calvin Klein e Donna Karan, por exemplo. Estes novos fatos para homem foram exibidos no corpo de Richard Gere, no filme American Gigolo de 1980.

Richard Geere em American Gigolo

O génio italiano teve sempre decisões inteligentes e desenvolveu mais linhas para além da principal, Giorgio Armani. Em 2005 o negócio expande-se e surge Armani Privé, de alta-costura. Armani Collezioni foca-se num público muito exigente, que gosta de personalizar o que veste e está atento às tendências. Segue-se a linha Emporio Armani que é  mais on trend. A Armani Jeans tem um conceito bastante jovem e acessível. Armani Exchange é a marca mais low cost. A todas estas sub-marcas, de homem e senhora, junta-se também Armani Junior. Não podemos esquecer os perfumes, os produtos de cosmética e ainda cerca de 10 estabelecimentos de restauração e 2 hotéis, sob a chancela Armani, numa continuação do lifestyle da Casa.

Instagram @anabbamaro
 
Em 2015 Giorgio Armani completou 40 anos de carreira e a comemoração fez-se sentir. Na cidade de Milão, Armani/Silos é um projecto onde em 4 pisos estão expostas, por temas e não cronologicamente, peças desde os primórdios da marca até hoje. No início do ano lançou a campanha New Normal, ao lado de Peter Lindbergh, onde as suas musas vestem as suas peças assinatura. Em Março foram os activistas pelos direitos dos animais que aplaudiram o Império Armani por deixar de usar peles, de qualquer tipo, nos seus produtos.

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